Villa Savoye: a grande obra de Le Corbusier

October 4, 2017

Situada em Poissy, uma pequena comunidade próxima à Paris, está uma das contribuições mais significativas para a arquitetura moderna do século XX: a Villa Savoye de Le Corbusier. Inaugurada em  1929, a Villa Savoye é uma releitura moderna das casas de campo francesas, que celebra e ao mesmo tempo responde à nova era das máquinas.

 

Esta casa transformou a carreira de Le Corbusier, bem como os princípios do Estilo Internacional, tornando-se um dos precedentes arquitetônicos mais importantes da história. O desapego da Villa Savoye do entorno onde está inserida leva seu desenho a ser contextualizado integrado ao cenário industrial do início do século XX, definindo conceitualmente a casa como uma entidade mecanizada.

 

Segundo Le Corbusier “a casa é uma máquina de morar”. Essa afirmação não é simplesmente traduzida no desenho de uma linha de montagem em escala humana. Em vez disso, o desenho começa a assumir qualidades inovadoras e avanços encontrados em outros campos da indústria, em nome da eficiência.

Em resposta à suas aspirações e admiração ao desenho mecanizado, Le Corbusier estabeleceu os "Cinco Pontos da Arquitetura", que são basicamente uma lista de elementos a serem incorporados ao projeto. Os cinco pontos de Corbusier podem ser interpretados como uma releitura dos Dez Livros de Arquitetura de Vitruvius, não literalmente como um manual de instruções para arquitetos, mas como uma lista de componentes necessários para o desenho. Tanto que a Villa Savoye está completamente adaptada aos cinco pontos de Corbusier:

 

- Planta livre

- Fachada livre

- Janela em fita

- Terraço jardim

- Pilotis

 

Neste ponto de sua carreira, Le Corbusier ficou intrigado com a tecnologia e o design dos navios a vapor. O resultado simplista nascido das técnicas inovadoras de engenharia e design modular influenciou o planejamento espacial e a estética minimalista de Corbusier.

 

Os pilotis que suportam os planos, as janelas em fita que correm ao longo da casca, as rampas que conectam os pavimentos; todos esses aspectos serviram de base para os Cinco Pontos de Arquitetura e são encontrados na composição da Villa Savoye.

Ao entrar no terreno a casa parece estar flutuando no fundo arborizado, suportada por pilotis esbeltos que parecem se dissolver entre as linhas das árvores, pois o nível térreo é pintado de verde para aludir à percepção de um volume flutuante.

 

O nível térreo abriga os programas de serviço e manutenção da casa. Um dos aspectos mais interessantes é a fachada curva e envidraçada nesse pavimento, desenhada em concordância com o raio de curvatura dos carros da época, facilitando a volta feita pelo proprietário ao conduzir o automóvel até a garagem.

 

As áreas de estar, no volume superior, tem as janelas em fita integradas perfeitamente com a fachada branca e rígida, anulando qualquer tipo de hierarquia entre as fachadas da casa. As janelas em fita brincam com a percepção de interior e exterior, que não se expressa claramente até que se esteja dentro da casa.

No entanto, uma vez dentro, a interação entre os espaços públicos e privados é percebida claramente. Normalmente, os espaços sociais de uma casa são relativamente privados, fechados e as vezes até isolados. No entanto, Le Corbusier dispõe os espaços de estar em volta de um terraço ao ar livre, que é separado da sala de estar por um grande painel vidro de correr.

 

Esta noção de áreas privadas dentro de um ambiente comum maior é uma linha frequente nas arquiteturas habitacionais de Le Corbusier.

 

Tanto o piso térreo quanto o superior estão baseados em uma ideia de plano aberto que provoca o habitante a estar continuamente serpenteando entre os espaços. Com a habilidade de um grande um artista, Le Corbusier incorpora uma série de rampas que conectam desde o nível mais baixo até o terraço jardim, pedindo que se desacelere e aproveite o movimento entre os espaços.

Villa Savoye é desenhada com base no passeio arquitetônico. Sua experiência está no movimento através dos espaços. As peculiaridades sutis do movimento e da proporcionalidade entre os ambientes evocam uma sensação de monumentalidade, perceptível apenas quando nos tornamos familiarizados com a casa.

 

 

 

Texto traduzido do site Archdaily.

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